COMO O DIABETES IMPACTA A SUA SAÚDE MENTAL


 

Como o Diabetes Impacta a sua Saúde Mental é parte da nossa série sobre Saúde Mental. O cuidado com o DM1 não depende apenas de contar carboidratos, medir a glicemia e aplicar insulina. A condição traz um grande fardo emocional e psicológico também. Veja outras informações e histórias pessoais sobre Saúde Mental.

Quando eu falo que eu sou um psicólogo especializado em diabetes, as pessoas normalmente ficam confusas. A maior parte delas vê o diabetes como uma questão física e nunca pensou nos aspectos psicológicos envolvidos na vida das pessoas que convivem com a condição. Até mesmo algumas pessoas que vivem com diabetes se surpreendem que existem organizações como o CDMH, que trabalham principalmente com diabetes e saúde mental. Elas sabem que viver com diabetes é difícil, mas muitas vezes ficam surpresas ao descobrir que suas preocupações são realmente (e infelizmente) bastante comuns. O que torna o diabetes tão difícil de lidar?

Eu costumo pensar nas questões relacionadas com diabetes e saúde mental de maneira muito ampla. Enquanto algumas pessoas que vivem com diabetes também foram diagnosticadas com alguma condição relacionada à saúde mental (que pode ou não ter ligação com o diabetes), muitas outras enfrentam questões que são muito reais, mas que talvez não se encaixem nos critérios (que às vezes são arbitrários) para um diagnóstico.

A psicologia estuda como situações, emoções e relacionamentos presentes em nossa vida interagem e afetam o nosso comportamento. Acredito que essa definição nos dá uma boa base para falar sobre como o diabetes pode impactar a saúde mental.

Situação

O diabetes é uma condição autogerenciável, o que significa que é a pessoa que vive com DM1, e não o médico, que é responsável por cuidar de si mesma no dia a dia. Com frequência o diabetes também envolve a tomada de decisões importantes, às vezes das quais a sua vida depende, em condições estressantes e desconfortáveis fisicamente.

Além disso, os cuidados com o diabetes precisam ser realizados sem interrupção e podem fazê-lo se sentir sobrecarregado. Se você ou uma pessoa próxima a você viver com diabetes, pare e pense sobre todos os passos que você precisa realizar todos os dias em sua rotina de cuidados: o que comer, quanta insulina aplicar, quando (ou se) se exercitar, como interpretar uma medição de glicemia, quanto carboidrato ingerir para tratar uma hipoglicemia… e a lista continua. Decisões, e os comportamentos resultantes (e suas consequências), são aspectos essenciais de uma rotina de cuidados com o diabetes. Realizar todos os passos necessários pode deixá-lo sobrecarregado – e isso não costuma ser nada divertido.

Emoções

As pessoas que vivem com diabetes sabem que isso pode causar algumas emoções desagradáveis e desconfortáveis. Uma coisa que sempre me perguntam é por que viver com diabetes é tão difícil e o que causa esses sentimentos negativos. Infelizmente, não é fácil responder. Ser diagnosticado e viver com uma condição crônica como o diabetes pode ser muito complicado e, como falamos antes, equilibrar tudo que é necessário para viver bem pode fazê-lo se sentir sobrecarregado. Mesmo que você faça tudo que precisa, o diabetes pode ser imprevisível e frustrante.

Se você não conseguir fazer tudo o que precisa, então, pode se sentir ansioso, culpado e até desesperado – e ainda nem falamos sobre o efeito que um dia em que você não está se sentindo bem pode ter. Como podemos ver, não existe uma resposta simples para essa pergunta porque, bom, o diabetes é complicado.

Relacionamentos

O diabetes pode influenciar a maneira em que as pessoas que vivem com a condição passam os dias e interagem com o mundo, e isso pode ser particularmente desafiador nos relacionamentos com amigos e familiares. O estresse e outras emoções negativas afetam a nossa capacidade de nos fazermos presentes em relacionamentos, ou até mesmo de manter relacionamentos – e isso sem nem levar o diabetes em conta. Os relacionamentos são uma parte importante da nossa vida e do bem-estar emocional de muitas pessoas, então quando o diabetes os afeta – e realmente afeta -, isso pode causar transtornos consideráveis.

Comportamento

Eu acredito muito que tudo que falamos até agora nos leva ao comportamento. Muitas pessoas buscam maneiras de melhorar a saúde mental por causa de como a sua situação, as suas emoções ou os seus relacionamentos estão afetando os seus comportamentos. Viver com diabetes e as tensões que isso envolve (a situação), como você se sente sobre isso (suas emoções) e os impactos causados em seus relacionamentos podem fazer com que seja difícil para que você mantenha comportamentos que considera ideais. Quando passam por isso, algumas pessoas apenas se mantêm focadas em sua rotina de cuidados e tomam conta de si. Outras se sentem tão deprimidas, ansiosas ou desamparadas que passam a ter dificuldades para ir à escola, ao trabalho e para fazer coisas que gostam. Também há quem tenha dificuldades ou conflitos em relacionamentos por causa do diabetes, o que torna difícil que sejam amigos presentes. Para outros, ainda, é uma junção de todas essas questões e outras das quais não falamos aqui.

A combinação de diabetes e saúde mental é complexa, mas eu gostaria de reafirmar que sempre há motivos para ter esperança. Muitas pessoas que vivem com diabetes têm vidas e relacionamentos plenos. Se você está enfrentando questões psicológicas relacionadas ao diabetes, saiba que as coisas podem melhorar, mas é importante pensar e definir o problema antes de resolvê-lo. Espero que isso ajude você a dar o primeiro passo.

 

 

 

WRITTEN BY MARK HEYMAN, PHD, éducateur agréé en diabète , POSTED 01/06/20, UPDATED 02/16/21

O Dr. Mark Heyman é psicólogo especialista em diabetes e educador certificado em diabetes. Ele é vice-presidente de Operações Clínicas e Inovação na One Drop. Ele também é fundador e diretor do Center for Diabetes and Mental Health (CDMH). Ele é um entusiasta da educação em diabetes e de ações baseadas em evidências para o cuidado com a saúde mental de pessoas que vivem com diabetes. Mark fez doutorado em Psicologia Clínica na Universidade George Washington e realizou seu treinamento clínico na Escola de Medicina da UCSD, onde ele é professor assistente do Departamento de Psiquiatria. Ele vive com diabetes tipo 1 desde 1999. Siga-o no Twitter (@DiabeticPsych) ou envie um e-mail para ele em mark@cdmh.org.